CAPOEIRA ANGOLA TUPINAMBÁS

Mestre Mico Louruz

15 April
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HISTÓRIA

Português

A capoeira sempre teve presence marcante em diversos momentos historico-politico-sociais do Brasil. Desde as primeiras narratives a respeito de jogos guerreiros feitos por escravos bantos ao som de tambores , observados por rugendas ainda no principio do seculo VXIII, ate a perseguiçao ao capoeiristas pela ditatura , nos anos 70. Ela sempre foi um elo de ligaçao do afrobrasileiro com sua ancestralidade, um oriente cultural, um instrumento corporal de educaçao universal , a ginastica de uma naçao em resistencia.

Na primeira metade do seculo XVI, depois de sua descoberta. A coroa portuguesa ainda se mostrava desinteressada por aquelas vastidoes litoraneas em terras do novo-mundo. Somente quarenta anos apos seusdesembarque naquelas paragens, e, sentindo o assedio de corsarios e piratas, principalmente normandos e flamengos, que financiados por banqueiros judeus de Antuerpia e Amsterdam, dilapidavam a extensa mata de Pau-Brasil(especie de madeira abundante em quase todo litoral brasileiro naquela epoca e que mais tarde daria nome a nova colonia) é que a coroa portuguesa , enviou sua primeira expediçao colonizadora ás terras de Vera Cruz. Ja as primeira levas de mao-de-obra escrava vindas do continente negro datam das ultimas decenias do seculo XVI . Vindos dos portos de sao Jorge de Luanda e do congo. Bantos portanto. Com o insucesso da escravidao silvicola e que intensificou-se a vinda em massa de escravos africanos para aquela nova colonia. Nos seculos seguintes diversas etnias negras aportaram na ja bastante desenvolvida colonia chamada agora de Brasil. Ewes, do antigo daonme, Yorubas(nagos), fons, minas, haussas, ibos e mandingos foram alguns dos exemplos- naçoes que aprisionados na Africa , seguiam escravos para o novo-mundo. Com o passar dos anos estes povos, por força da escravidao, fundiram suas , costumes, crenças , linguas e tradiçoes , e, juntamente com influencia da cultura europeia(portuguesa) surgiu o que chamamos hoje: CULTURA AFRO BRASILEIRA.

AS ORIGENS DA CAPOEIRA

Muniz Sodre, pesquisador e ex-capoeirista, nos diz que o principio, cronologico , nao e relevante. O principio , antropologicamente falando, e o que conta. E o principio , no caso da Capoeira, e sem sombre de duvida, africano! E sabido que em alguns paises que situam-se no continente africano, existem diferentes formas de manifestaçoes, dança, luta, jogo, associadas a rituais iniciaticos e/ou ritos de passagens. Em Angola, por exemplo, existem a Bassula, A Camangula, o N’golo(dança das Zebras), em Reunion temos a moringue etc. Sistemas de auto-defesa, com golpes de projeçao, imobilizaçoes e marradas. Todas regidas por rituais e ritmos de tambores. Talvez estejam ai os antepassados da Capoeiragem. Mas nao podemos esquecer sobremaneira, a contribuiçao indigena na genese desta. O mesmo Muniz Sodre nos fala dos Tupinambas. Indios que habitavam a costa brasileira , na altura do estado da Bahia ate o norte do Espirito Santo a epoca do descobrimento. Eximios nadadores e ageis na luta corpo a corpo. Diz ele: “as pernadas e cabeçadas sao africanas, mas a ginga e meneios sao coisa de indio.” Sao inumeras , hoje em dia , as teorizaçoes sobre as origins da capoeira, os mecanismos que deram forma a esse, hoje, bailado guerreiro. O certo e que foi, a epoca, uma luta muito violenta utilizada pelos escravos como defesa pessoal e tendo apenas o corpo como arma. Mais tarde com a urbanizaçao das capitais coloniais, foi ela absorvida, nao so pela camada escrava (e negra) da populaçao, mas tambem pelo populacho branco e mestiço. Sendo que em meados do seculo XVIII era largamente praticada tambem por membros da elite aristocratica. Os tres grandes focus de capoeiragem entre os seculos XVII e XIX foram as cidades de Recife, Salvador e Rio de Janeiro, mas existiam outras formas de lutes, tambem deorigem negra e/ou indigena em outras regioes do pais: a Ponga(norte) , tiririca(regiao do vale do paraiba), a marana(indigena) o batuque(bahia) e a pernada(rio de Janeiro). Mas o folguedo que sobressaio na memoria popular foi a Capoeira. Na Guerra Paraguai um regimento formados por negros escravos , que iam ao front , substituindo os filhos de seus senhores, se destacou nos combates corpo-a-corpo contra o exercito paraguaio, na fomosa batalha de guararapes que se prolongou por tres dias tornando-se o maior banho de sangue da curta historia da naçao. Guerra esta que foi uma das maiores atrocidades, cometidas contra um povo livre . orquestrada pelo imperio britanico afim deque prevalecesse seus interesses comercias naquela regiao. Ela tambem foi usada com propositos que nao os de pura sobrevivencia. Politicos innescrupulosos que mantinham sob sua batuta malta de desordeiros, ex-escravos desempregados e capoeiras que lhes assegurava supremacia nas questoes e demandas eleitorais das grandes cidades do agora imperio. Os capoeiras dissolvia comicios, alteravam resultados de eleiçoes, assassinavam inimigos politicos , enfim realizavam todo tipo de service sujo no qual se sustentava a vida politica à epoca. Mas ela tambem servia para diversao. Principalmente na Bahia, em Salvador, onde ela tomou um rumo diverso de outras grandes metropoles, como Rio de Janeiro(entao Capital) e Recife. Para o negro baiano a Capoeira tinha de tudo um pouco. Era luta, era meio de vida e de morte, mas tambem era folguedo, coisa de brincar nas folgas e finais de semana. Para isso tinha que ter musica. Ai entra o berimbau. Mas antes tinha viola, A palma de mao . ou qualquer instrumento que marcasse o tempo. Em 1888 veio o fim da escravidao, mas nao o fim da opressao. De escravo o negro passou a ser,aos olhos do branco, vagabundo, ladrao e criminoso! Um ano depois , o fim do imperio, a Republica dos marechais e com eles o novo codigo penal . Onde a Capoeira passava a ser proibida. E toda pessoa flagrada praticando-a era presa, sumariamente julgada. Se estrangeiro fosse: Deportaçao imediata! Se de familia abastada: Exilio em Fernando de Noronha. Mas se negro e/ou pobre fosse: Morte Certa!

Assim adentra a capoeiragem no novo seculo como pratica proibida. Somente no ano de 1932 e que volta a legalidade, atraves da figura de Mestre Bimba(Manoel dos Reis Machado 1889-1974), que recebe do entao interventor do Estado da Bahia, Gen. Juraci Magalhaes, autorizaçao para a abertura da primeira escola de Capoeira,mas que estranhamente nao levava o nome tacito de escola de Capoeira, e sim Cultura fisica regional. Nascia assim a CAPOEIRA REGIONAL BAIANA. Logo em 1936 , mestre Bimba realiza uma demonstraçao, no palacio do governo, para o entao presidente da Republica nova, Getulio Vargas, consolidando entao a fase moderna da Vadiaçao. Mas era um periodo politico –social conturbado no Brasil e aqueles ares oficiais de liberdade na pratica nao estavam consolidados. A ojeriza contra os negros e tudo o que lembrasse sua presence ainda era latente. Perseguiam-se Capoeiristas , fechavam-se casas de Candomble e recintos para diversao de negros etc. A capoeira continuava a ser uma arma de sobrevivencia para os afro descendentes, em todos os sentidos, fisico, social e spiritual. O periodo que vai de 1930 a Principio dos anos 60 e tido como “golden years” da capoeira. Neste periodo despontaram geraçoes de bambas na bincadeira. Figuras como: Noronha, bimba, pastinha, valdemar, traira, naje, cabelo bom, bom cabelo, totonho de mare, vitor H.U., aberre, dentre muitos, foram nomes que marcaram esta epoca. Epoca na qual o berimbau passou a ser a figura ritmica indispensavel na pratica da Capoeira, tornando-se associaçao imediata: Falar em berimbau era falar em Capoeira! No idos de 1950 iniciou, no pais, um tímido processo de industrializaçao que foi accelerando-se gradativamente com criaçao da Petrobras (empresa de petroleo brasileiro) e tambem grande empresas de mineraçao e siderurgia. No inicio dos anos sessenta transferiu-se a Capital Federal da cidade do Rio de Janeiro para a modernissima Brasilia .Cidade futurista projetatada por Oscar Niemeyer encravada bem no centro do Pais. Mas Rio e Sao Paulo seguiam como os dois principais polos urbanos do Brasil. Da pobre regiao nordestina do Pais afluiam grandes massas de trabalhadores para estas cidades em busca de trabalho e das benesses que o incipiente capitalismo brasileiro prometia. A capoeira seguiu com esses homens, dando inicio ao novo periodo da Brincadeira de Angola: A era contemporanea da Capoeira, ou tambem conhecida como a era das academias. De meados dos anos 60 ate os dias de hoje a Capoeira sofreu grandes e profundas transformaçoes. Evoluçoes dizem uns, involuçoes dizem outros. Neste periodo a capoeira expandiu-se em varias direçoes.adentrou em recintos universitarios, militares, e sociais que, ate entao, viam a Capoeira ainda, como apenas uma pratica de negros desocupados. Ser “capoeira”, ou capoeirista, virou sinomino de status social. O capoeirista virou professional. Shows, academias lotadas de jovens universitarios e classes média etc. Mas, para adentrar nestes meios, ela teve de fazer algumas concessōes. Aquela movimentaçao malemolente, traiçoeira, as vezes bizarra quase animalesca, deu lugar a uma postura estilizada quase robotica. Criou-se uma indumentaria padrão e uma metodologia cartesiana, que em nada lembrava aquele aprendizado intuitivo de antes. A Capoeira, tornou-se uma mercadoria que, para ser bem aceita, e consequentemente vendida, teve de tomar outra roupagem . Nao aquela que lembrava a figura do negro, mas uma coisa hibrida. Mesclada , talvez com outras lutas. Porque nao? Entao mesclou-se com Karate, Kaporete(pois muitos das primeira levas de capoeira na cidade de Sao Paulo eram oriundos do Karate) , Box(Capobox), Taekwondo,e atualmente com o Jiujitsu Brasileiro(Capojitsu). Ja nos anos 70 ela chega a europa, timidamente. Mas em meados dos 80 invade, nao só a Europa como EUA , Austrália, Corea, Japão, Paises da Africa, Mexico etc. Mas, também nos anos 80 surgiu um movimento, encabeçado por mestre preocupados em resgatar os genuinos e tao esquecidos fundamentos da Capoeira antiga(Angola e regional) . E a chave para esse processo era trazer de volta os antigos mestres da arte para a vitrine deste processo. Mestres esse que guardavam e guardam ainda as ferramentas culturais que forjaram esses fundamentos. Que guardam os segredos da Capoeira –luta. A alegria da Capoeira folguedo, jogo. E a matriz da Capoeira instrumento de educaçao e conscientizaçao. Mestre que trazem consigo a tradiçao oral Africana . O modo intuitivo de aprendizado desta luta-arte-jogo.

CAPOEIRA E A INTEGRACAO SOCIAL:

A Capoeira é por definição uma pratica comunitária. Partindo da premissa de que não é possivel praticá-la sozinho. Necessita-se de pessoas para a organizaçao da roda, os percussionistas , os cantadores, o coral, os jogadores etc. durante a a sua prática os participantes revezam-se nos instrumentos, no canto e no jogo em si. Torna-se evidente que trata-se de um pratica cooperativa onde as individualidades e as particularidades de um individuo nao sao anuladas e sim evidenciadas dentro da interatividade grupal. Necessitasse tambem conhecer seu histórico , seu desenvolvimento cronológico, para uma compreensão melhor de sua prática. Este elo de ligaçao passado-presente é sobremaneira importante para a manutençao da sua dinamica existencial e evolutiva. Rito , tradiçao e luta. É a triade em que se sustenta a sua prática. Tendo a figura do mestre como o detentor do saber, das técnicas e segredos da luta. Ele e o elo de ligaçao do passado com o presente(jovem praticante) que mais tarde sera também um antigo mestre. O velho mestre: o guardião do mito. O jovem praticante: o cultivador deste. Sim a Capoeira e mitológica. E assim como a tradiçao ela evolui em sua contemporaneidade. Portanto nao é estática e sim ambigua. Antiga e moderna . contraditória diria. Luta-dança? arte-esporte?

CAPOEIRA ESPORTE(?)

Seria a capoeira um mero esporte , uma simples atividade fisica em si? Para o homen negro no Brasil não! Muniz Sodré(ex capoeirista e doutor em comunicaçao ) nos fala: “…O corpo..”UM EDIFICIO COLETIVO DE DIVERSAS ALMAS”. Diferentemente da consciencia, à qual o Ocidente cristão atribui o controle da unidade do sujeito e faz dela a garantia da subjetividade, o corpo é o lugar da multiplicidade. Quer dizer, o corpo é um coletivo dirigente e não um monarca que governa sozinho, a exemplo da consciência. Sao vários os tipos de inteligência que, para Nietzsche, devem ser compreendidas como qualidades corporais: a coordenação, a prudência, a seleção, etc.

Mais de uma vez, eu procurei reiterar que o desprezo pelo corpo e o despotismo da consciência constituem um dos grandes falseamentos antropologicos do homem moderno. No imaginário contemporaneo, a harmonia intellectual ainda se opõe à harmonia do corpo. Mesmo quando o occidental se volta para o corpo – por meio dos esportes ou das artes corporais – permanence de pé a velha concepçao dualista da natureza humana, que comparava o corpo a uma maquina habitada e controlada por um espirito, pela mente.

A filosofia occidental do esporte faz força para convencer o individuo de que o treinamento esportivo reduz-se a uma tecnica com um objetivo: o progresso das qualidades fisicas. Admite-se que a mente possa contribuir para tal objetivo(a vontade e a inteligencia submetendo o corpo) e também que a cultura fisica influa na saúde mental. Este é o sentido da formula ” mens sana in corpore sano”.

O problema e que essa fórmula mantém a separação entre corpo e espirito, ambos numa mutual relação agressiva. Institucionalizado, o esporte termina imbuido do mesmo espirito competitivo vigente nas relaçao de produçao dominantes. Os atletas tem um único objetivo comun: a vitória – do espirito sobre o corpo, ou do corpo sobre o adversário.

A Capoeira dos velhos mestres baianos jamais foi esporte, e sim jogo. É o mesmo dizer que sempre foi arte, cultura. De um lado, a brincadeira, o descompromisso com a seriedade, tudo aquilo que restitui no homem a disponibilidade mental e fisica da criança, De outro, uma pratica integrada de luta, dança, canto, toque e forma de pensar o mundo.

Seus fundamentos? Flexibilidade, velocidade do impulso, ritmo corporal, malicia.

Arte-jogo, malicia é a palavra-chave. É a malicia que indica com precisao a capacidade do capoeirista de superar a história de seu ego(a consciência dos habitos adquiridos e consolidados) e adotar, em questao de segundos, uma atitude nova.

Na capoeira, tudo se passa sem esquemas nem planos preconcebidos. É o corpo soberano, solto em seu movimento, entregue a seu proprio ritmo, que encontra instintivamente o seu caminho. Senhor de seu corpo o capoeirista improvisa sempre e, como o artista, cria.

Na capoeira, assim como na filosofia de Nietzsche, o corpo pensa. Pensamento e corpo pertencem a ordem do diverso, isto é, a uma simultaneidade de coisas compreensiveis e incompreensiveis, que raramente passam pela consciencia.

Por trás dela, não se abriga o “eu” isolado e onipotente de uma consciencia esportiva, e sim o grupo – multiplo, diferenciado, poliformo, coletivo de almas – que faz com o criativo uma tradiçao ritualistica, musical; narrativa e corporal de origem negra.”.

Muitas se tentou caracterizar a capoeira como “esporte nacional” . Ja em finais da decada de 60 , auge da Ditadura Militar implantada no pais desde 64, um grupo de oficiais da aeronautica intentou estabelecer uma politica unificadora e regratizante para ela. Criaram-se federações , campeonatos, nomenclatura unica de golpes, uniforme padrão e graduações(como nas artes marciais japonesas) . Organizou-se o primeiro Simpósio Nacional de Capoeira para marcar o inicio deste processo . Convidaram-se mestres, entre eles, mestre Bimba e Pastinha(Bimba se retirou já no primeiro dia e pastinha nem compareceu) . Mas ai tratava-se da tal “institucionalizaçao” referida por Muniz e pior , idealizada e posta em prática em pleno periodo de excessão, Por um governo ilegitimo. Nao foi a evoluçao dentro de um processo natural das coisas. Algo que emanou da prática cotidiana dos mestre da época. Era algo certamente fadado ao fracasso , como o foi. Mas que deixou sequelas muito visiveis na prática atual da capoeira.

CAPOEIRA : UM INSTRUMENTO DE EDUCACÃO PARA A VIDA

“A gente nao quer só comida , a gente quer comida diversão qual é. A gente não quer so comida a gente quer a vida como vida é!…”(titas-grupo de rock brasileiro)

Uma roda de capoeira é uma universidade de educaçao para vida. Por trás de movimentos despretensiosos de corpos que simulam uma luta e que por vezes lutam de verdade, encontram-se elementos pedagogicos indiscutiveis. Voltamos a citar Muniz Sodre que em seu livro “Corpo de Mandinga” nos fala: Nas rodas fixas tudo depende do espirito do mestre. Tradicionalmente o mestre nao “ensinava “ a seu discipulo, pelo menos do que a pedagogia occidental nos habituou a entender o verbo ensinar. Ou seja, o mestre não verbalizava, nem conceituava o seu conhecimento para transmiti-lo metodicamente ao aluno. Ele criava as condiçōes de aprendizagem(formando a roda da capoeira) e assistia a ela. Era um processo sem qualquer intelectualizaçao, como no Zen, em que se buscava um reflexo corporal, comandado não pelo cérebro, mas por “alguma coisa” resultante de sua integraçao com o corpo.” Segundo ainda o Psicanalista brasileiro Roberto Freire(profundo conhecedor das teorias e pesquisas psicanalisticas de willem Reich), seria a capoeira a unica pratica corporal contemporanea que conseguiria desbloquear as “couraças corporais” advindas dos comportamentos neuroticos existentes em nossa sociedade occidental judaico-cristã . Sendo a postura corporal cifotica(tensao na regiao dorsal) a caracteristica somatica mais visivel destes estados neuroticos. Outra caracteristica pedagogica de uma roda de capoeira seria a interaçao e integraçao de gerações e segmentos sociais diversos (jovens, velhos, pobres e ricos etc) que dividem um espaço comum , onde as regras de convivio existentes sao estabelecidas pelo convivio mutuo. Onde se exercitam simultaneamente nao somente elementos cognitivos , fisicos e psicologicos de um individuo isoladamente, mas sim dentro de um processo de interaçao com seu coletivo.

CONCLUSÃO:

Discorrer sobre o assunto capoeira é uma tarefa complexa e de uma extensão inimaginavel. A Capoeira, uma forma simples de expressão corporal inventada por negros escravos e seus descendentes como uma forma de autodefesa, com o passar dos seculos torna-se uma forma de arte multifacetada . Na atualidade tornou-se ela objeto de pesquisas nas mais diversas areas do saber, academico e nao academico. Mas nos coraçoes e mentes dos milhares de capoeiras espalhados pelo quarto cantos do mundo , ela permacece sendo o velho e prazeroso exercicio de vadiação.

Antuerpia, 14 11 2004

Nederlands

DE CAPOEIRA EN DE GESCHIEDENIS VAN BRAZILIË

De Capoeira was altijd aanwezig in de verschillende historische, politieke en sociale momenten van Brazilië . Vanaf de eerste narratieve over “jogos guerreiros” tussen slaven  georkestreerde voor trommels, vertellend voor RUGENDAS in begin van VXIII , tot de vervolging aan “capoeiristas in de dictatuur tijd (jaar 60,70,80). Capoeira was een  aanschakelen van de “afrobrasileiros” met zijn voorvaderlijkheid, een culturele leider, een lichamelijk gereedschap van universeel opvoeding, de Gymnastiek van een natie in weerstand.

In eerste helft van VXI eeuw, na het ontdekken van het nieuwe land, de Portugese kroonwas nog niet geïnteresseerde aan die uitgestrekt kust gebied. Alleen maar 40 jaren na de eerste het aan land gaan aan die streken, om zich zorgen maken over lastig vallen van kaperschepen en piraten normanden,  wat verkwisten een grote deel van de kuustwoeroud om de “Pau Brasil”(Brasil hout) te kappen en  naar europa brengen en verkopen, hebben de Portugese beginnen met een  serieus kolonisatie proces .  De eerste “cargo” van zwarten afkomstig Afrika hebben plaats bevond in de laatste decennia van VXI eeuw. “Sao Jorge de Luanda e Kongo waren  de afkomstig locatie van deze mannen. Met ongeluk poging van de silvicolas slavernij hebben de kolonisator intensifiëren de slavenhandel vanuit Afrika.

In de komende eeuwen  verschillende Afrikaanse volkeren kwamen naar Brazilie.  Ewes Van Daome(vandaag Benin), yorubas(nagos), Fons, Minas, Haussas, Ibos e Mandigas, waren voorbeeld-naties , wat opsluiten in Afrika, een daarna richting de niewe-wereld.

Door de jaren deze volkeren , in functie van de slavernij, hebben zijn gewoonten, religie , talen en tradities vermengen, en, samen  met de indianen e portuguese gewoonte was geboren onze  AFRO BRAZILIAANSE CULTUUR.

DE OORSPRONG VAN CAPOEIRA

Muniz Sodre, wetenschapper en ex-capoeirista, zegt: “het begin, chronologisch is niet relevant. Het antropologische begin is belangrijkste. En het begin is, in dit geval, is duidelijk Afrikaanse! Is bekende in vele land in afrika het bestand van verschillende vorm van spelen en gevecht verboden aan ritueelen en initiaties.  In  Angola bestaat de Bassula, De Camangula, o N’golo, in Reunion bestaat de Moringue en in Senegal  en Nigeria vele variaties van worstelen. De mestaal van deze vormen van krijgskunst zijn begeleiden door trommels. Misschien liggen daar de voorouders van capoeira. Maar we moet niet vergeten van de autochtoon contributie in de genese van deze proces. Opnieuw Muniz Sodré overwegen rond de Tupinamba. “Indios” bewoners in de noordoost kuststreek van Bahia staat tot de Kleine Espirito Santo staat. Geweldige zwemmers, lenig en krachten vechters. “De trap techniek is Afrikaanse, maar de “ginga” en scheebewegingen komen van de indianen!” zijn tallozen vandaag stelling over omstaan van Capoeira. Over de mechanisme wat vorm hebben gegeven aan zijn praktijk . Wat zeker staat is: Capoeira , was in die tijd, een gewelddadig gevecht gebruik voor slaven om zich te verdedigen. Later met de urbis proces van hoofden kolonialen steden , zij(Capoeira) was gebruik ook voor de blank gepeupel en “mestiços”.

Ook, en midden van XVIII eeuw was veel aanwezig bij het aristocratie

Rio de Janeiro, Salvador e Recife, waren  de drie grotste focus van capoeira tussen XVII en XIX eeuwen, maar in anderen regio van het land er was verschillende vorm van gevechten zoals Capoeira: De ponga(op noord), De tiririca(Vale do Paraiba), a Marana(van de indianen), De Batuque(bahia) en de Pernada(Rio). Maar de Capoeira op de voorgrond treden in de geheugen va de bevolking. In de tijd van Paraguaiese oorlog regimenten gevormd met slaven waren altijd aanwezig bij het front.  De  slaven waren de vervangers van de “Senhores de engenho” zonen.  De zwarten hebben zich aftekenen in de strijd man tegen man  tegen de paraguaiense leger op de bekendste  “batalha de humaitá”.

Capoeira werd ook gebruikt met onverschoonbaar doel. Politicus houden onder zijn machtige vleugels groepering van onruststokers, werkloos ex-slaven en capoeiras . Deze groupie zorgen voor overmatig in de politiek veld, vooral bij de grote steden van het keizerrijk. Het capoeiras ontbinden volksvergadering, verstoren verkiezing uitslagen en vermoorden politiek tegenstander. Maar Capoeira  was ook geschikt voor amusement, voornamelijk in Salvador, Bahia.  Daar volgen zij andere richting dan Rio de Janeiro en Recife.

Volgens de Zwarte baiano de Capoeira was een beetje van alles: Gevecht, weg van leven en dood, maar ook plezier, spel om te spelen op weekend. Voor dat te bereiken moet ritme gebruik. Dus, hier komt de berimbau. Voordat was de “viola(kleine 10 snaren gitaar), handpalm, of wel welk ander instrumenten wat de maat geven.

Op 1888 de het end van de slavernij gekomen, maar niet het end van de verdrukking.  Van slaven de zwarten zijn, onder de blanken ogen, zwervend, dieven en misdadigers. Een jaar later het end van de keizerrijk. De republiek is onder weg, en met haar het nieuwe Penaal wet. Plotseling is capoeira verboden. Welk burger betrappend beoefend krijgen een zware straf.

Capoeira binnenkomen in de nieuwe eeuw uitdragen.  Allen in 1932 zij is terug in de legaliteit via mestre BIMBA(Manoel dos Reis Machado 1889-1974). Bimba krijgt van Gal Juraci Magalhaes, overheiddinar, toestemming om de eerste Capoeira school, maar zonder nam “capoeira” te gebruik, en toen CAPOEIRA REGIONAL is geboren. In 1936 Bimba een demonstratie uitvoeren aan de presidente van nieuw republiek GETULIO VARGAS, was consolideerde de modern fases van Capoeira.

Maar de nieuwe republiek was in feit een regime dictatoriaal, en dit gevoel van vrijheid in praktijk bestond niet. De segregatie tegen de zwarten en alles wat zijn aanwezigheid getond sterk geworden . De Capoeira blijven bestaan zoals een overleven wapen voor de “afro-descendentes”.  De periode tussen 1930 tot 1960 waren “the golden Times” van Capoeira. De “geração de bambas” : Noronha, Bimba, Pastinha, Traira, Valdemar, Naje, Cabelo Bom, Totonho de Mare, Vitor H.U. Aberre, waren sommigen van deze tijd .

In 1960 Brasilia, het nieuwe Hoofdstad, is geboren. Er is ook een heel discrete industrialisatie proces begonnen . Op de zelf periode een grote “diaspora” van mensen afkomstig van de arme noordoost regio kwamen naar het zuid. Rio , Sao Paulo e Brasilia waren de favorieten bestemming. De Capoeira  volgen met die mensen, opent een nieuwe fase voor het spel: De contemporaine era van Capoeira, Ook bekende als era van de academies.

In deze periode de Capoeira  gehouden worden voor diepen transformaties .

De capoeira is nu een beroep. Wint sociaal status. Academies vol van Studenten , Shows en demonstraties etc. Maar langs de andere kant  verloren belangrijke cultureel en pedagogisch elementen van vroeger. In feit een  massagoederen ,  iets om snel te consumeren.  Intussen opkomen verschillende variaties van Capoeira: kaporete(met Karate) Capoboxe, en vandaag Capojitsu. In de jaar 70 verlegend komt naar europa, maar vanaf  80 een grote invasie gebeurt .  Niet allen op de Oude continent , maar op de hele wereld! Van America , tot China.

Naast dit massificatie proces, volg ook andere met een doel van af te kopen belangrijken aspecten  technisch, historicus , pedagogisch en socialen .

EEN OPVOEDING VOOR HET LEVEN:

De kring van Capoeira is een universiteit voor het leven. Vanachter elke sierlijk beweging wat simuleren een gevecht, is mogelijk te vinden onbetwistbaar pedagogisch principes. Nog een keer zegt Muniz Sodre in het boek, Corpo de Mandinga: Vroeger in de “rodas fixas” alles komt van de meester. Volgens de traditie de meester niets onderwijzen aan zijn leerling, niet volgens de pedagogie occidentaal . De meester gebruik geen oordelen over zijn kennis vóór aan leerling te geven.  Hij  opbouwt  de conditie voor te onderwijzen( de “roda” organiseren )  en allen maar kijken. Een proces zonder rationalisatie, zoals op ZEN, waar de zoektocht voor een lichamelijk reflex niet gecommandeerd  door de hersenen, maar door “iets” resultante tussen de integratie  geest/Lichaam.”

 
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